sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Tradiciones y conmemoraciones populares en Paraguay

Paraguay tal vez sea uno de los países con menos feriados en América Latina, pero si es un país con muchas tradiciones culturales que se conmemoran cada año. Algunas conmemoraciones tienen explicaciones muy ficticias, otras tienen sentido, pero no importa; lo importante es que siempre se conmemora sin importar la clase social a la cual se pertenece.
El mes de las tradiciones o conmemoración es el mes de octubre y noviembre. Comenzando por el 1° de octubre fecha en la que se conmemora la llegada del ‘’Karai octubre’’ (señor octubre); según la tradición popular en esta fecha se debe de preparar un plato tradicional denominado ‘’Jopará’’ (mezcla) que únicamente se prepara en esta fecha y es preparada en todos los hogares del país, incluso en los patios de comidas o restaurantes a lo largo y ancho del Paraguay.
Karaí octubre es un festejo guaraní que se remonta mucho antes de la llegada de los españoles a América, cuando en la época en que florecían los lapachos los guaraníes notaban que aflojaban sus reservas de alimento, ya que no había frutos que recoger en el monte y los animales estaban muy flacos por la salida del invierno, y la agricultura que hacían (maíz, mandioca, batata) recién se sembraba a partir de ese mes. En fin, lo único que había por doquier era miseria.
Pero como el guaraní era un hombre muy positivo en su manera de pensar, no veía mejor manera de contrarrestar esta miseria que hacer una gran comilona y danzando para que su Dios Tupá (Dios Padre) aleje la pobreza. Cuando llegaron los españoles y al convivir con los guaraníes, vieron precisamente que al comenzar la temporada de primavera se quedaban cortos de alimentos, adoptaron esa tradición uniéndose a la gran comilona y al baile.
Según la tradición, octubre es el mes en que escasean los alimentos: la mandioca, el maíz y otros productos vegetales son más difíciles de conseguir en el campo. Por eso, el día 1 se come puchero con locro, poroto, arroz y verduras en abundancia, el muy famoso “jopará’’.  El Karaí (señor) Octubre es, según la creencia popular, un duende maléfico que sale todos los 1 de octubre a recorrer las casas y ver quiénes tienen suficiente comida. Es un duende inspector que va mirando si la gente sembró y trabajó durante el año y supo guardar para los meses en que no hay cosecha. Ese día al pasar por las casas debe comprobar que hay suficiente comida y que la convidan a sus vecinos. A quienes no cuidaron los castiga con miseria hasta fin de año y a los que tienen para convidar los premia con abundancias. A continuación, la imagen del Karai octubre: 


Y como era de esperarse en mi casa no se ha dejado pasar la fecha, como cada año mis padres nos muestran a mis hermanos y a mí de cómo preparar el tradicional plato del ‘’Jopara’’. Reunidos en la casa en familia se conmemoro el 1 de octubre para espantar la escasez alimentaria y así asegurarnos con la abundancia en lo que resta del año. Aunque yo no sé hasta qué punto esto pueda ser cierto, ya que la escasez o abundancia depende de otros factores y no solo de la llegada del karai octubre. Lo cierto y lo concreto es que estas tradiciones unen a la familia para disfrutar de buena comida y mucha alegría.
A seguir comparto las fotos de ese día en familia conmemorando el 1 de octubre.




Fotos tomadas por: Mariela Raquel Melgarejo
Fecha: 01/10/2017
Ciudad del Este, Paraguay 

Otra de las fechas conmemorativas tradicional en Paraguay es el 1 y 2 de noviembre, el 1 se celebra la fiesta de Todos los Santos se remonta a principios del siglo IV, cuando la iglesia decidió honrar a los mártires por el poder romano. Y el 2 de noviembre se celebra el día de los difuntos.
En estas fechas en Paraguay se acostumbra a realizar comilonas en honor a los seres familiares difuntos, además algunas familias asisten a misa muy temprano para luego ir a visitar la tumba de los difuntos en el cementerio para limpiar la última morada, elevar alguna oración, cambiar las flores, recordar con dolor a esos familiares que ahí descansan, pero mirando la vida por delante con la esperanza de honrar la memoria de esos allegados que ya no están.
Estas visitas son siempre acompañadas de muchas golosinas y chipa paraguaya que son repartidas entre todos los presentes y niños que frecuentan la zona en estas fechas. Según la explicación dada por mis abuelos estas actividades son realizadas por una creencia religiosa que los gastos realizados en ese día son hechos en honor al difunto, como una ofrenda por el alma de la persona fallecida. Generalmente en estas fechas los cementerios se llenan de personas que visitan la tumba de sus seres queridos. 




Mariela Raquel Melgarejo López 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Jardim Jupira: uma heterotopia (*) do medo iguaçuense


As fronteiras nacionais são fenômenos bem mais complexos, não se resumem a limites, divisas, tratados diplomáticos, nem podem ser simplificados como o lugar do narcotráfico e do contrabando. Não existe a fronteira em abstrato, o que existem são situações sociais e singulares de fronteiras. Alguns fenômenos podem ser generalizados para outros contextos fronteiriços e outros são específicos de uma dada configuração social. (ALBUQUERQUE, 2010, p. 42).

            A cidade de Foz do Iguaçu limítrofe com os países do Paraguai e Argentina, possui população estimada em 263.915 habitantes, de acordo com dados do IBGE 2016. A construção da Ponte da Amizade que interliga Foz do Iguaçu no Brasil e Ciudad del Este no Paraguai, nas décadas de 1950-1960 significou um marco nas relações socioculturais e econômicas de ambas cidades.
             A difundida imagem da cidade de Foz do Iguaçu enquanto local turístico por causa das Cataratas das últimas décadas está atrelada à construção da empresa binacional Usina de Hidrelétrica Itaipu entre 1975 e 1982. De acordo com Aparecida Darc de Souza, docente na Universidade Estadual do Oeste do Paraná, a construção, foi responsável pela alteração da estrutura urbana e da dinâmica social e econômica local, fator que promoveu uma rápida urbanização espacial (SOUZA. 2009; P.79).
            A não planejada urbanização resultou na configuração de espaços de ‘centrais’ e ‘periféricos’, atrelados aos aspectos econômicos e as delimitações sobre quem os ocupariam. Ao propor o estudo dos autores Gonzalez e Hasenbald (1982) considero a  analogia que fazem entre as condições atuais de vida da população negra nas periferias, e o passado vivenciado no estigma das senzalas. Assim, as favelas teriam sucedido as senzalas, e sempre nas margens, ou em regiões periféricas do centro, lá estão os “negros e seus locais”.
            O “lugar de negro” no tempo colonial correspondia ao não lugar do senhor – ou seja, à senzala, à cozinha ou o local de produção. Nas sociedades atuais esses espaços se converteram nas cidades dormitórios, favelas, fábricas escuras, mas é dentro das prisões, hospícios e cemitérios que a exclusão nega a esses sujeitos suas faculdades políticas (Gonzalez, L; Hasenbald,C. 1982 P15-16).
            O bairro do Jardim Jupira, ou favela do bolo como é conhecido, é um espaço periférico na sociedade iguaçuense, facilmente associado ao tráfico e ao comércio ilegal de mercadorias. Dada a proximidade com a Ponte da Amizade, não é apenas um local do encontro do nacional e internacional; mas é um local criado sobre o imaginário do medo, da violência e do perigo. Dessarte, os residentes desta fronteira sendo eles, imigrantes, indígenas ou negros pobres, estão a margem também das politicas eugênicas e xenofóbicas proposta pelo Estado. Os discursos midiáticos corroboram na  (re)produção da heterotopia do terror atrelado ao espaço.
            Também podemos considerar a relação entre centro e periferia enquanto um pensamento abissal da modernidade que pode ser traduzido pelo que chamou Boaventura de Souza Santos (2007) de dois universos destino, no qual a realidade estaria divida por linhas radicais. Contudo, essas linhas consistem num sistema de distinções visíveis e invisíveis, sendo que as invisíveis fundamentam as visíveis (SANTOS. 2007; P.1).
            O silêncio que continua sendo entendido estatalmente como cumplicidade, embora simbolize também um intento de seguridade interna e externa dentro da periferia. O Estado, por vezes, é o maior repressor nesses espaços. A realidade na periferia segue marcada pela frase que nos deixou o cantor e compositor Sabotagem: ‘a maior malandragem da vida é viver’.
          Como Albuquerque (2010, p. 42) bem exemplifica, fronteira não deve ser entendida apenas como delimitação territorial, e tampouco reduzida ao local do ilícito. Assim sendo, as linhas geográficas naturais ou criadas, não delimitam apenas os pertencimentos estatais no caso da região da Tríplice Fronteira, mas atuam como um sistema de divisões invisíveis, que quando baseadas em esteriótipos fundamentam a recusa do tido ‘outro’ seja ele internacional ou nacional.

(*) NOTA: Heterotopia, conceito foucautiano usado para se referir aos locais sobre os quais são projetados características duais, por vezes antagônicas.  Texto base do conceito -FOUCAULT, Michel. Outros espaços. Ditos e escritos, v. 3, p. 411-422, 2001.

Referências:
ALBUQUERQUE, José Lindomar C. A dinâmica das fronteiras: os brasiguaios na fronteira entre o Brasil e o Paraguai. São Paulo: Annablume, p. 33-58, 2010.
GONZALEZ, Lélia; HASENBALG, Carlos Alfredo. Lugar de negro. Editora Marco Zero, 1982.
SANTOS, Boaventura de Sousa. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. Novos estudos-CEBRAP, n. 79, p. 71-94, 2007.
SOUZA, Aparecida Darc de. Formação econômica e social de Foz do Iguaçu: um estudo sobre as memórias constitutivas da cidade (1970-2008). 2009. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo.


Raquel Santos Souza, Graduanda do curso de História - América Latina pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Filme histórico: fonte histórica e seus tipos, por Gabriel Antônio Butzen

O filme se constitui como um artefato culturas de extremo contato com a sociedade atual. Marc Ferro (1992) diz que todo filme que é produzido em um determinado tempo é uma fonte histórica, que pode ser analisada como tal. Ou seja, analisar o contexto de sua produção, a data que o filme foi realizado e as pessoas que participaram de sua construção. Outros estudos (SOUZA, 2012) também apontam que a narrativa fílmica também é importante para o estudo da história (mais especificamente, do ensino de história). É baseado nesses estudos que podemos classificar os tipos de filmes históricos.
Em resumo, podemos definir três tipos de filmes históricos (SOUZA, 2012):

1.    Filme Histórico que narra um fato histórico.  O filme, nesse caso, tem a intenção de narrar um fato no passado que “realmente aconteceu”, contando a história objetiva do passado.
 

O filme “O Jovem Marx” (2016) é um exemplo de filme que narra um fato histórico (Extraído: http://cinecartaz.publico.pt/Filme/371697_o-jovem-karl-marx. Acesso em: 15/10/2017).

2.    Filme Histórico que recua ao passado. Aqui o filme usa um tempo histórico, uma data, como “pano de fundo” para uma narrativa ficcional do passado. Assim é uma história inventada que se passa em um tempo histórico.


O filme “Pra Frente Brasil!” (1982) é um exemplo de filme que recua no passado para narrar uma história ficcional. (Extraído: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pra_frente,_Brasil. Acesso em: 15/10/2017).

3.    Filme Histórico de “cultura de massa”. Esse filme pode ser tanto um filme histórico ou um filme que recua ao passado, mas sua maior característica é a de estar presente para o “grande público”, como cinemas e televisão. Pois muitos filmes históricos tem a característica de ser “cult”, pertencer a um grupo mais fechado de espectadores.

O filme “Dunkirk” (2017) pode ser caracterizado como filme histórico de fato histórico, mas teve relativo sucesso e foi exibido nos cinemas, podendo ser também um filme de “cultura de massa”. (Extraído: http://www.imdb.com/title/tt5013056/. Acesso em: 15/10/2017).

Saber a diferença entre esses tipos de filmes abre um leque maior de possibilidades de estudos históricos com essas fontes históricas. Um exemplo é como uma determinada sociedade do passado lidava com filmes históricos, qual tipo de filme essa sociedade mais assistia? Ou no ensino de história e filmes, analisando qual a recepção dos estudantes de um filme histórico em comparação com outros tipos de fontes históricas (como livros, imagens, esculturas). Saber essas categorias pode contribuir para a pesquisa acadêmica.

Referências:

FERRO, Marc. Cinema e História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
SOUZA, Éder C. de. O Uso do Cinema no Ensino de História: Propostas Recorrentes, Dimensões Teóricas e Perspectivas da Educação Histórica. Escritas. Araguaiana, v.4, p.70-93, mar. 2012.


Autor: Gabriel Antônio Butzen, estudante de História – Licenciatura – UNILA.

Revisão: Pedro Afonso Cristovão dos Santos

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Postagens em espanhol

O blog retoma essa semana a tradução de nossas postagens para o espanhol: apresentamos La preservación de archivos digitales e El presentismo: ¿vivimos en un "presente omnipresente"?, traduzidos por Mariela Raquel Melgarejo López, bolsista do blog em 2016, e a poesia de Tarcísio Queiroga ¡Sin nombre! Porque algo sin nombre no tiene un dueño, traduzida por Valentina Vásquez Arango, com revisão de Marcella Vieira. Deixamos os links abaixo, e seguiremos nas próximas semanas com traduções e postagens inéditas. Boa leitura!





Prof. Pedro Afonso Cristovão dos Santos

¡Sin nombre! Porque algo sin nombre no tiene un dueño.

Actualmente el capitalismo está apático,
Después de la colonización
Europeos y su sistema jerárquico.
Colonialidad del ser y del saber
Todo harina del mismo bulto.

Bajo las entrañas de la ganancia,
Bañada de oro y sazonada de arrogancia.
Atacaron a Síria respondieron con terror en Francia.
En 1998 levantaron la copa del mundo,
Antes de 1492 no existía la idea de raza .
Mis ojos se entristecen en medio de tanta desgracia,
Cuál es su válvula de escape?
Unos optan por súplicas al cielo,
Ya yo juego en el equipo de la cachaza.

Aquellos que no valorizan los reales valores
Colocan en todo un precio,
Y todavía se consideran vencedores.
Llegaron de manera naval,
Estandarizando y vendiendo la idea de lo que es ser normal.
Mataron para imponer un concepto,
Hasta hoy muchos flotan en las olas de los preconceptos.
Epa! En este juego caímos del balancín,
Inferiorizados por la jerarquización colonizadora.

Ahí,  sin maldad!
Tecnología,  progreso y civilidad,
Trajeron la idea de propiedad.
Resistió, vaciló y el rey ya firma,
Derraman las lágrimas nativas,
El orden garabateado con una pluma
Provocando demasiada masacre.

Rótulos en los potes de estereotipos
Silencio en el set, cámara acción, zoom
Actualmente algo común en el país del bumbum,
Tarcísio Quieroga desde 1991,
Surfeando por las venas abiertas de América Latina
Fruto de glorias y carnicerías
Flechas, polvora y un poco de glicerina,
Conquistadores bajo imperios de cocaína,
Indígenas subyugados por los portadores de sotanas.

El tal intercambio cultural,
Algunas veces se dá de forma brutal,
12 de octubre de 1492
No me gustó,  pero no se puede cambiar de canal.
2016 se devoran por el pré-sal
La batalla de los hambrientos dentro de algún tribunal

Así, más una vez resalto,
América pasó el mayor asalto
Realmente aquí la comedia no fue tan divina,
Pues, mientras Europa retrocede la tropa,
Y el tiempo no retorna,  
El poder cambia de mano,
AlI right, “MAYDAY,MAYDAY” Tío Sam en la misión,
Boom! Iraq en la mira del cañón,
Violencia genera violencia, agresión genera agresión
Puede anotar, pues la naturaleza va a cobrar
Con permiso! Ya está pasando el huracán Katrina
En aquellos que lanzaron la bomba de Hiroshima
Haciendo del mundo lo que bien entienden,
Literalmente tirándonos a la letrina.

Tarcísio Queiroga

Traducido por: Valentina Vásquez Arango

Revisado por: Marcella Vieira



La preservación de archivos digitales

Comentamos, en el post ´´La formación y preservación de archivos y la escrita de la historia´´, proyecto de ley en Brasil que prevé la destrucción de documentos después de su digitalización. La propuesta sugiere noción de seguridad al respecto de los archivos digitales que, por el momento todavía está lejos de ser realidad. El registro en forma digital no posee, por ahora, la garantía de longitud que podríamos esperar. Incendios, robos, deterioraciones, pueden destruir papeles y documentos físicos; pero otros tipos de peligros envuelven los documentos digitales, y su preservación para el futuro permanece como una cuestión compleja para archivadores e historiadores.
Los archivos digitalizados y los archivos ya ´´nacidos´´ digitales, como el e-mail, colocan problemas a esos especialistas en cuanto a su preservación desde los años 1980 y 1990. La fragilidad de esos registros se destaca: un libro antiguo puede tener una parte damnificada (algunas páginas, por ejemplo), en cuanto a los archivos digitales, en muchos casos, cuando son damnificados, se pierden por completo. Un problema más debe ser agregado: la cuestión de la legibilidad del archivo preservado. La constante actualización de los programas, los software y hardware, hace que los archivos preservados en medios antiguos se vuelvan ilegibles después de algún tiempo. La tecnología necesaria para acceder a ello deja de existir. Actualmente se piensa y (se practica) inclusive una nueva forma de arqueología, regresada para recuperar esos datos: la arqueología digital. 
Además, muchos archivos digitales, como páginas de la web, están en lenguajes de hipertexto, poseen camadas de información (como los links, que conectán una página a otra, como por ejemplo la interface de nuestro blog). Imprimir paginas o preservarlas, envuelve la dura tarea de preservar también esos links. Eso sin mencionar las cuestiones legales y éticas comprendidas en la preservación de archivos digitales, tales como los problemas de los derechos autorales.
Esto es apenas una pequeña recopilación de los problemas relacionados a la preservación de los archivos digitales o digitalizados, que nos lleva a mirar con mucha cautela propuestas de destrucción de documentos físicos. Aquí tratamos sólo cuestiones ´´técnicas´´ relativas a la preservación, pues la destrucción de archivos envuelve también graves cuestiones éticas. Dejamos a nuestros lectores un link para el documentario Into the Future (1998), de Terry Sanders, subtitulado en portugués, que, todavía en los inicios del internet, apuntó gran parte de los problemas de la preservación de documentación digital, muchos de ellos todavía inquietantes.



Prof. Pedro Afonso Cristovão dos Santos

Traducido por: Mariela Raquel Melgarejo López

Revisión: Pedro Afonso Cristovão dos Santos

El presentismo: ¿vivimos en un "presente omnipresente"?

Discutimos en el blog las posibilidades de una historia del tiempo presente. Esa discusión evoca una mirada sobre nuestro presente. La atención a la historia del tiempo presente sería un indicio del peso que el presente ejerce hoy, en detrimento del pasado y del futuro, ¿en nuestra experiencia del tiempo?  ¿Estaríamos viviendo una época marcada por el presentismo?
El presentismo, concepto trabajado por el historiador francés François Hartog, remite a un régimen de historicidad, especifico de nuestro momento histórico. Regímenes de historicidad, a su vez, son categorías analíticas, instrumentos que el/a historiador/ra puede utilizar para pensar la experiencia del tiempo de cada época especifica (como destaca Hartog, presentismo es una hipótesis, y régimen de historicidad, el instrumento para examinarla, “y ambos se completan mutuamente’’, HARTOG, 2014, p. 11). Aproximándose de las reflexiones del historiador alemán Reinhardt Koselleck, Hartog delinea la presencia de regímenes de historicidades específicos en el Occidente. Hasta el final del siglo XVIII, a grueso modo, la experiencia del tiempo occidental privilegiaría el pasado. Del pasado, de la historia, sacaríamos las lecciones y orientaciones para nuestra vida en el presente, y el futuro presentaría apenas algunas modificaciones de las mismas experiencias ya vividas. Se concebía a la naturaleza humana como esencialmente inmutable, por lo tanto, causas y motivaciones semejantes generarían eventos semejantes. El paso del siglo XVIII al siglo XIX, eventos como la Revolución Francesa traería un cambio en esa experiencia del tiempo: el futuro se convirtió en la instancia de referencia. El pasado pasó a ser visto como radicalmente diferente del presente, incapaz de enseñar algo, y el presente, como un tiempo de transición, en dirección al futuro, al progreso, el lugar de referencia para nuestras acciones, planes y expectativas.
Los eventos del final del siglo XX, inicio del siglo XXI, sin embargo, habrían cambiado nuevamente nuestra experiencia del tiempo. El fin de la Unión Soviética y del socialismo realmente existente, y un creciente pesimismo con relación al liberalismo y al capitalismo, hizo que el futuro dejase de ser visto como objetivo de nuestras esperanzas, y pasase a ser encarado con miedo, como la perspectiva de una catástrofe climática y ambiental nos muestra. Por otro lado, el pasado continúa incapaz de ofrecernos lecciones, pues seguimos viéndolo como un tiempo radicalmente diferente del nuestro. Lo que viviríamos actualmente, según esa hipótesis, sería una especie de ´´largo presente´´ sin volvernos hacia el futuro, y tampoco hacia el pasado.
El presentismo (neologismo inspirado en ´´futurismo’’), ese ‘’presente omnipresente’’ en el cual vivimos (HARTOG, 2014, p. 14), seria marcado tanto por una experiencia de constante aceleración del tiempo, como de estancamiento, de ausencia de horizontes:

De un lado, un tiempo de flujos, de la aceleración de una movilidad valorizada y valorizante; por otro, (…) la permanencia de lo transitorio, un presente en plena desaceleración, sin pasado – sino de un modo complicado (más todavía para los inmigrantes, los exiliados, los desalojados), y sin futuro real tampoco (el tiempo del proyecto no está abierto para ellos). El presentismo, así puede, ser un horizonte abierto o cerrado: abierto para cada vez más aceleración y movilidad, cerrado para una sobrevivencia diaria y un presente estancando (HARTOG, 2014, p. 14-15).

De ese modo, ese presente es marcado, tal vez, por una paradoja: aceleración del tiempo y movilidad constantes, mudanzas a todo momento; mudanzas, sin embargo, que no llevan a un futuro proyectado, solo a más mudanzas. Un presente que deja de ser transición para el futuro y se vuelve en un estado de constante cambio y precarización. Las seguidas actualizaciones tecnológicas, la obsolescencia programada y el desecho de lo que se vuelve cada vez más rápidamente ultrapasado, serian evidencias del régimen ‘’presentista’’. A eso se le suma, apunta Hartog, la visión de un ‘’futuro percibido, no más como promesas, sino como amenaza; sobre la forma de catástrofes, de un tiempo de catástrofes que nosotros mismos provocamos’’ (HARTOG, 2014, p. 15). Hartog usa también el ejemplo de las ciudades actuales, a partir del concepto de junkspace, formulado por el arquitecto holandés Rem Koolhaas habla en ‘’ciudades genéricas’’, ciudades sin historia (aunque preserven paseos históricos por algunos barrios específicos), en procesos constantes de ‘’autodestrucción y renovación local, o entonces en una precariedad habitacional ultrarrápida’’ (HARTOG, 2014, p. 15). Barrios en seguidos procesos de valorización y desvalorización marcan la dinámica de las ciudades actuales. Los aeropuertos serian la expresión máxima de esas lógicas, espacios de las escaleras mecánicas y del aire acondicionado, en constantes expansión y renovación. 

Interior del aeropuerto de Foz de Iguazú en 2010 (imagen extraída de  http://jie.itaipu.gov.br/node/42951, acceso en 01/06/2017)

Por tanto, se debe resaltar, el carácter conceptual de los ‘’regímenes de historicidad’’, como dijimos más arriba. Son instrumentos para ayudar al historiador a pensar en una época y su relación con el tiempo, hipótesis de trabajo, no evidentes en sí. Por otro lado, como destaca Mateus Pereira (PEREIRA, 2011, p. 63), es necesario notar la posibilidad de coexistencia de diferentes regímenes de historicidad. El presentismo sería, entonces, no el único, pero el principal de los regímenes de nuestra época, conviviendo con otras experiencias del tiempo.
Considerando el presentismo como hipótesis, ¿que nos diría ese régimen sobre el lugar de la historia en las sociedades actuales? Las reflexiones sobre la historia ¿que importancia tiene en un presente que se comprende diferente del pasado, pero sin ser una transición para el futuro?

Referências bibliográficas:

HARTOG, François. Regimes de historicidade: presentismo e experiências do tempo. Tradução de Andréa S. de Menezes, Bruna Breffart, Camila R. Moraes, Maria Cristina de A. Silva e Maria Helena Martins. Belo Horizonte: Autêntica, 2014.
PEREIRA, Mateus Henrique de Faria. “A história do tempo presente: do futurismo ao presentismo?” Humanidades, no. 58, junho de 2011, p. 56-65.

Prof. Pedro Afonso Cristovão dos Santos
Traducido por: Mariela Raquel Melgarejo López
Revisión: Pedro Afonso Cristovão dos Santos